Falando em gastar meu tempo com coisas úteis, eu poderia largar a minha preguiça e deixar minha casa sem um grão de poeira.
Poderia ir na praça toda vez que sentisse vontade.
Poderia até encontrar um novo amor, alguém com quem compartilhar todos os segundo que eu vivo.
Só de pensar nessa possibilidade eu fico muito feliz, mas nada acontece se eu não tirar o saco de lixo que está em mim.
Que garoto vai querer uma pessoa que só guarda lixo consigo, uma garota que só pensa em seus problemas e se esquece que tem uma vida maravilhosa.
Eu sou assim. Quando me dou conta de que estou destruindo os segundos de oportunidades que me restam, o tempo se acaba e não posso mais tentar nada.
Mas, aí eu fico pensando e querendo que aquela oportunidade voltasse, então eu me lembro que mesmo se aqueles segundos voltassem eu faria nada de novo e tudo ficaria como está.
E por isso, eu me esqueço do que aconteceu e tento novamente até conseguir.
...
Tive tantas oportunidades na minha vida que se passaram num piscar de olhos. Se passaram tão rápido que eu nem percebi e nem pude pegá-las.
Minha vó, materna, morreu muito jovem, mas mesmo assim eu havia me apegado muito a ela. No dia do seu enterro, eu me lembro de ter chorado muito, de ter chorado tanto que só o meu avô podia me acalmar, mas eu sabia que ele teria de ser forte para se acalmar.
Minha mãe não aguentou, acho que se estivesse no lugar dela sentiria a mesma coisa ou até pior.
Ela ficou durante anos, deprimida, com muitos pensamentos em sua mente que a perturbaram tanto que teve várias doenças. Buscava soluções em tudo o que imaginava e a cada dia rezava mais forte e mais forte para Deus poder dar-lhe um sonho, um encontro om sua mãe.
Ela mesma me disse que quando sonhou com sua mãe, parecia que era real e, era tão real que quando ela abraçou vovó, ela acordou com o coração a mil e não aguentou ter que abandonar aquele precioso momento, que ela queria tanto que fosse real.
...
Eu me lembro remotamente de um sonho que tive com a minha avó.
...
TO BE CONTINUED
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